Page 12 - Atlas Dendrocaustologico
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Atlas Dendrocaustólogico
            Metodologia                                                                recolher os dados dos incêndios florestais registados no território continental,

                                                                                       o que explica que só a partir dessa data exista informação oficial para todo o
                                                                                       território continental e que se encontra disponível na página web do ICNF.
               Para a produção dos mapas é “[…] necessário ter acesso a dados precisos e   Nos anos seguintes, foram-se afinando os procedimentos de recolha, ao
            atualizados, um dos requisitos fundamentais para criar ferramentas adequadas à   ponto de se terem passado a usar novas ferramentas, por exemplo, o recurso
            gestão de incêndios, com recurso a novas tecnologias […]” (S. Oliveira et al., 2014),   a imagens de satélite para determinação das áreas queimadas e que, com base
            pelo que se recorreu à página web da entidade responsável pela disponibilização   num protocolo estabelecido com o Instituto Superior de Agronomia, a partir de
            dos dados relativos aos incêndios florestais, o Instituto de Conservação da   1990, também permitiu generalizar o levantamento das áreas queimadas a todo
            Natureza e das Florestas (ICNF), para recolher os dados estatísticos, já que   o território continental, do mesmo modo disponível na página web do ICNF.
            a essa entidade compete “a manutenção, à escala nacional, de um sistema de   Assim, dez anos depois do início da construção da base de dados oficial sobre
            informação relativo a incêndios florestais, através da adoção de um sistema de gestão   incêndios florestais foi dado um importante passo no sentido da sua representação
            de informação de incêndios florestais (SGIF) e os registos das áreas ardidas” (Lei   geográfica, através da cartografia sistemática dos grandes incêndios ocorridos
            n.º 76/2017, de 17 de agosto).                                             nos anos seguintes. Sensivelmente dez anos depois, mais precisamente em 2001,

               A recolha deste tipo de informação teve início nos anos 70 do século passado,   foi dado outro importante passo para a representação geográfica dos incêndios
            na ex-Circunscrição Florestal de Coimbra, da ex-Direcção-Geral das Florestas,   florestais e que consistiu na indicação das coordenadas geográficas dos pontos de
            onde se procedia à recolha sistemática de informação sobre os incêndios    ignição que, embora nem sempre corresponda ao local exato da ignição, permite
            florestais nela ocorridos e que, além do levantamento número de ocorrências,   ilustrar, de forma muito aproximada, as áreas mais suscetíveis a início de incêndios.
            se preocupava em cartografar todas as áreas queimadas por grandes incêndios   Assim, a atual base de dados estatísticos sobre incêndios florestais, do
            florestais e que, ao tempo, se consideravam todos aqueles cuja dimensão era   Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, encontra-se disponível
            igual ou superior a 10 ha (L. Lourenço, 1990). Nessa cartografia, levantada   para descarregamento de dados em formato de Excel, a partir do ano de 1980,
            diretamente no campo, identificavam-se as espécies queimadas, distinguindo   embora só tenha as coordenadas geográficas dos pontos de ignição a partir do
            os povoamentos com e sem valor comercial e, nos primeiros, levantava-se o   ano de 2001. Do mesmo modo, também disponibiliza a cartografia nacional
            volume da madeira queimada, por espécie florestal.                         de áreas ardidas, em formato “shapefile”, a partir do ano de 1990. Como, para
               Mais tarde, no ano de 1980, um técnico dos Serviços Centrais da ex-Direcção   os últimos anos, a informação é de carácter provisório ou, mesmo, inexistente,
            Geral das Floresta deslocou-se, durante a então chamada “época de fogos”, para   o Atlas organizou-se por períodos quinquenais, neste caso, de 1981 a 2020,
            o CPDIF-05, ex-Centro de Prevenção e Detecção de Incêndios Florestais 05,  por forma aos decénios corresponderam às respetivas décadas (1981-1990,
            sediado no Aeródromo da Lousã e que centralizava a recolha e o tratamento   1991-2000; 2001-2010, 2011-2020) e, na versão digital, será atualizado à

            da informação referente aos incêndios florestais registados na Circunscrição  medida que a informação oficial for sendo disponibilizada.
            Florestal de Coimbra, a fim de acompanhar essa recolha, com o objetivo de    Todavia, por forma a conseguir remontar no tempo e, deste modo, ampliar

            implementar, a nível central, um sistema semelhante que viesse a permitir  o período referente à distribuição espacial das áreas ardidas, recorreu-se a um
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